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Entrevista | Pevides de Cabaça

  Formados em 1996 os Pevides de Cabaça são um grupo proveniente de Ovar composto por: Canigia Sputnik, Óscar Beerof, Américo Brazens, José Pai do Rock Mendes e Zézito Lírio.

A sua sonoridade vai desde o reggae, kuduru, rock, techno beat, até ao metal mais profundo; e prometem  “incendiar” todos os palcos do país – com a sua energia, imagem irreverente e “loucura saudável” – em espetáculos memoráveis.

Em Maio deste ano lançaram o seu álbum de estreia, Loucos em Alto Speed, o qual têm apresentado em vários concertos por todo o país. Este Domingo, regressam à terra natal para atuarem no Surf at Night numa noite que promete ser de arromba. O Made In Portugal esteve à conversa com Canagia Sputnik, um dos membros da banda.

Made In Portugal- Retrocedamos ao remoto século XX. Ainda se lembram de como surgiu a ideia de formarem a banda?


Canigia Sputnik– Esta banda surgiu numa altura em que todos os seus elementos se encontravam desempregados e tinham muito tempo livre. Como tinham uma paixão comum pela música em geral e pelo Rock em particular, em vez de passarem as tardes no café, decidiram “dar uns toques” inicialmente, claro, sem grandes pretensões.

MIP- Começaram por ser um projeto local , mas foram ganhando uma legião de fãs que vos deu visibilidade a nível nacional. O que pensam ser a razão de tanta curiosidade em torno da banda?

CS – Bem, achamos sinceramente que somos uma banda diferente, especialmente ao vivo. Não sabemos bem o porquê de tanta curiosidade mas o facto de sermos autênticos e sinceros naquilo que fazemos com certeza que ajuda. As nossas músicas são muito simples, os refrões são muito “orelhudos” e a componente visual também é bastante forte o que de alguma forma faz com que as pessoas se identifiquem connosco. Somos divertidos e se calhar também temos beneficiado das pessoas andarem fartas de tanta tristeza.

MIP- Entretanto o vosso álbum de estreia foi editado pela Sony Music e em Março o vosso single atingiu o nº 1 no Itunes. Depois de tantos anos de existência alguma vez pensaram chegar tão longe? 

CS- Sinceramente não. Foi uma grande surpresa. Sabíamos que tínhamos algo de especial porque a reacção das pessoas é como o algodão “não engana”, mas sempre pensamos que a indústria estava muito formatada e que andava distraída. Quando finalmente nos ligaram lembro-me de pensar que era o dia mais feliz da minha vida, chorei compulsivamente durante meia hora, mas como sempre me dei com gente deste mundo (da música) e como já acompanhei vários artistas, rapidamente me lembrei que isto era apenas o início e que na verdade podia querer dizer muito pouco ou nada. Foi uma reacção emocional. Já passou.

 

MIP- Há alguma intenção de passar determinada mensagem através das canções, ou as letras são meramente produtos das vossas vivências (ou imaginação) que pretendem partilhar?


CS- Boa pergunta. Não. Neste álbum não pretendemos passar qualquer tipo de mensagem a não ser: divirtam-se e cantem connosco. As letras reflectem muitas das nossas vivências pessoais e são sempre relacionadas com coisas que nos fizeram rir. Foi a nossa forma de fazer as coisas até agora. No futuro veremos.

MIP- Sabemos que têm um enorme apoio por parte dos seguidores de Ovar. Relativamente ao resto do país, como tem sido o feedback: muita “loucura em alto speed”?

CS- Sim, em Ovar é quase toda a gente tão doida como nós. Isso inspira-nos e faz-nos pensar que não estamos sós e que não somos tolinhos (risos). No resto do país as reacções também têm sido muito boas mas é um processo mais lento e gradual. Algumas pessoas ainda não estão preparadas para os Pevides de Cabaça. Ficam desconfiadas ao início, tentam resistir, porque não somos uma banda normal, mas acabam por desistir (risos).


MIP- É em palco que se sente a verdadeira loucura dos Pevides de Cabaça?

CS- Sem dúvida. Adoramos “partir com tudo” e sentir que as pessoas querem ser levadas ao limite e esquecer tudo durante aquela hora e meia de loucura.

MIP- Quais as expetativas para o futuro, vão continuar com a mesma irreverência?


CS- Ainda não pensamos muito no futuro porque este álbum é muito recente, mas é natural que algumas coisas mudem. Nós não temos um estilo a não ser não ter estilo nenhum, por isso tudo pode acontecer. Há algumas coisas que faremos de forma diferente porque não nos queremos repetir, mas a irreverência, é como diz o outro “essa há-de ser eterna”.


MIP- Como definem atualmente a música em Portugal?

CS- Bem, esta dava pano para mangas. Sabemos que têm aparecido muitas coisas interessantes, dificilmente terá existido algum período da história da música portuguesa com tanta gente talentosa a aparecer ao mesmo tempo. A parte negativa é que muita da comunicação social e das pessoas com algum poder nesta matéria ainda são muito elitistas, adoram promover o seu “bom gosto” e gastam imensa energia e recursos a promover coisas que as pessoas comuns não entendem nem conseguem apreciar e que inevitavelmente chegarão a lugar algum. Desta forma nunca se venderão discos, nem aparecerão grandes fenómenos, que, na minha opinião, fazem falta às pessoas e à indústria. É o que faz ser de 1996, ainda acreditamos que se podem vender muitos discos.

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