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Entrevista | Zé Perdigão «simbiose perfeita de sons que nos leva a viajar no espaço e no tempo desta Ibéria antiga e sempre renovada»

Zé Perdigão é senhor de uma voz que canta e encanta.
Em entrevista o cantor português sem fronteiras falou-nos um pouco do seu percurso musical, do álbum “Sons Ibéricos”, dos concertos um pouco por todo o Mundo e muito mais.
Confira:

«Nasci com este condão e faço dele o meu projeto de vida»

Made in Portugal: O que o influenciou a seguir um percurso na música?
Zé Perdigão: Cantar foi sempre a minha preferência na vida. Em tudo que fiz a música esteve sempre presente e em primeiro plano. Comecei muito cedo na música litúrgica e fazendo parte de um Orfeão, passei pela musica clássica e fui ao longo da vida passando por outras áreas pop/rock, fado… até que surgiu no inicio dos anos 2000 este convite de José Cid para gravar aquele que foi o meu primeiro trabalho discográfico “Os Fados do Rock” que foi editado em 2008. Não tenho influências familiares pois não existe nenhum artista a não ser eu na família, também foi uma luta no seio familiar pois os meus pais foram sempre contra eu seguir uma vida artística. Nasci com este condão e faço dele o meu projeto de vida.

MIP: É verdade que aos 7 anos de idade quando entrou para o Orfeão de Guimarães, a missa de domingo começou a encher-se de pessoas que iam para o ver cantar?

Z. P.: Sim é verdade. Nasci no seio de uma família católica e fui educado segundo a mesma, a missa

dominical era a minha presença assídua não só para o ritual de domingo mas também para cantar, e na verdade sempre gostei de cantar na missa, ainda hoje por vezes dou comigo numa nostalgia saudosa desses tempos de menino onde tudo era um misto de emoções indescritíveis. Foi o tempo em que a minha voz era angélica e rebentava com a escala do piano! (risos)

MIP: Em 2009 foi convidado para fazer parte da digressão europeia do internacional Michael Bolton. Como surgiu este convite?
Z. P.: Como referi em 2008 é lançado o meu primeiro trabalho “Os Fados do Rock” diversos concertos de apresentação deste trabalho em todo o país até que em 2009 sou convidado pelo meu produtor José Cid para fazer a primeira parte do seu concerto no Campo Pequeno em Lisboa e nesse mesmo dia aconteceu algo de transcendental, um público maioritariamente pop/rock rendeu-se à minha apresentação e surgiu então daí o convite do produtor de Michael Bolton para que fizesse a sua primeira parte da Digressão Europeia em Janeiro de 2010 no Coliseu dos Recreios em Lisboa e assim aconteceu, foi um sucesso.

«uma simbiose perfeita de sons que nos leva a viajar no espaço e no tempo desta Ibéria antiga e sempre renovada»

MIP: “Sons Ibéricos” é o segundo álbum que edita. Fale-nos deste disco. Como o define?
Z. P.: “Sons Ibéricos”, é fruto de um trabalho de 5 anos gravado totalmente em analógico nos estúdios
AcidRecords. Ao longo deste tempo fomos gravando e apurando o que mais se ligava à minha voz, gravei

mais de 30 temas e desses foi feita uma seleção de 14 temas que compõem este novo trabalho “Sons Ibéricos”. Fomos beber na essência Ibérica se assim quiser, na raiz popular sem desvirtuar como é o caso dos temas “Senhora do Almurtão” e “Milho Verde” tradicionais da Beira-Baixa onde recolhemos a sonoridade milenar e ancestral do adufe, na sonoridade mais andaluz no tema “Aranjuez” de Joaquin Rodrigo, fomos ao outro lado do atlântico precisamente ao Brasil buscar os temas “Bandoleiro” de Ney Matogrosso e “Esquinas” de Djavan, e é composto maioritariamente de inéditos da autoria de José Cid. Encontramos também neste álbum a belíssima poesia passando por Federico Garcia Lorca, Teixeira de Pascoaes, Pedro Homem de Mello, José Cid, Ney Matogrosso, Djavan, Joana de Oliveira. O enamoramento da guitarra portuguesa pela guitarra flamenco, passando pela gaita de foles, cavaquinhos, viola braguesa… enfim uma simbiose perfeita de sons que nos leva a viajar no espaço e no tempo desta Ibéria antiga e sempre renovada.

MIP: Este novo disco conta com a participação de José Cid, como compositor, autor, produtor, instrumentista e ainda em 2 duetos (“Milho Verde e na versão ao vivo “Para lá do Marão”). Como surgiu a oportunidade de trabalhar com José Cid?
Z. P.: Simples, as coisas acontecem quando menos esperamos. Há um concurso de canções “Festival Guimarães a Cantar” que se realiza todos os anos na minha cidade natal Guimarães, nesse mesmo festival fui vencedor vários anos seguidos até que um dia tive que dar a oportunidade a outras belíssimas vozes existentes em Guimarães e decidi não participar mais, nesse ano participei como convidado da organização e lancei o convite a José Cid que acedeu participar e aí surgiu o convite de José Cid para que eu gravasse “Os Fados do Rock”.

«“Sonidos Ibéricos” é simultaneamente gravado em Castelhano para o mercado espanhol e sul americano»

MIP: Irá apresentar em Espanha a versão castelhana do seu novo disco – “Sonidos Ibéricos”. Como é o público espanhol? Quando lá atuou pela primeira vez, como foi a reação do público espanhol?
Z. P.: O álbum “Sonidos Ibéricos” é simultaneamente gravado em Castelhano para o mercado espanhol e sul americano a convite de uma editora espanhola, nele podemos encontrar alguns dos temas que estão no álbum “Sons Ibéricos” mas também inéditos de Jose Cid para poemas de Federico Garcia Lorca, Gabriela Mistral, Pablo Neruda, Armando Martinez, Julio Otero, Luis Represas e António Machin. O album já se encontra à venda no iTunes, o físico só chegará às bancas em finais de Janeiro 2014. A apresentação de “Sonidos Ibéricos”. será feita ao vivo em Madrid em data ainda por revelar.

MIP: Já atuou também na Argentina, Chile e Uruguai. Como foi a experiência?
Z. P.: Fiz uma digressão de quase 3 meses a convite do músico Jorge Prado e do maestro Julio Ortiz, no Chile passei por diversas salas de Santiago do Chile , Valparaíso, Viña Del Mar, Las Condes, sempre com enorme êxito, segui para a Argentina onde me apresentei em concerto em Villa General Belgrano – Córdoba, Mar Del Plata e Buenos Ayres onde participei no 1º Festival de Tango e Fado, depois segui para o Uruguay. Foi uma digressão fascinante que me deu a conhecer parte de um continente e de um povo riquíssimo culturalmente. Cruzei-me com grandes nomes como, Jorge Prado, Rolando Jeldres, Carmen Prieto Monreal, Jorge Coulon e Max Berrú do grupo Inti-Illimani, Karina Beorlegui, Andrés Stagnaro… Voltarei em Março deste ano para promoção do álbum “Sonidos Ibéricos”.

MIP: Irá editar ainda um DVD do concerto em Lisboa, no Auditório dos Oceanos. O que o levou a querer editar um DVD desse concerto?
Z. P.: Verdade, será editado neste primeiro trimestre de 2014 o DVD ao vivo gravado no Auditório dos Oceanos no Casino de Lisboa. Não por alguma razão especial mas por todas as razões. São muitas e cada vez mais as pessoas que gostam e se identificam com o meu trabalho, sentimos que era necessário brindá-las com um presente especial – e então o DVD será o presente desejado.

«afinal o que é fado?»

MIP: O que é para si o Fado?
Z. P.: O fado é algo de transcendental que ninguém sabe explicar, é uma forma de expressão musical única

que só nós possuímos. Essa foi a questão que quis deixar no ar com “Os Fados do Rock” – afinal o que é fado?

MIP: Quais as suas referências musicais?
Z. P.: As minhas referências musicais são diversas, não tenho prateleiras para a música nem gosto de classificações, escuto de tudo um pouco filtrando o bom para escutar, não tenho ídolos. (risos)

MIP: Para este ano 2014, para além das apresentações ao vivo de “Sons Ibéricos”, que mais projetos tem em manga?
Z. P.: Estou concentrado na apresentação e divulgação do álbum e do concerto “Sons Ibéricos”, claro que já começamos a pensar em novos temas e gravações mas ainda é cedo para divulgar alguma coisa. Espero puder visitar o maior número possível de terras e pessoas com este novo trabalho e só peço saúde para dar sempre o máximo de mim em cada apresentação, pois só sei entregar-me por inteiro. Creio que se augura um ano em pleno crescimento e chegarei onde o povo me quiser ver e ouvir com a maior alegria e entrega.

«têm surgido coisas novas e interessantes na música em Portugal»

MIP: Como define atualmente a música em Portugal?
Z. P.: De boa saúde. Temos grandes compositores, poetas, cantores, músicos e têm surgido coisas novas e interessantes na música em Portugal, já se escuta mais em português e sinto que se começa a ter mais amor e proteção pelo que é nosso. Sinto no entanto ainda muita falta de programação televisiva e radiofónica nacional que dê notoriedade e nível ao que temos de muito bom musicalmente dentro de portas. Tenho esperança, tudo a seu tempo.

Acompanhe Zé Perdigão em:
Próximo concerto de Zé Perdigão a 21 de Fevereiro no Casino da Figueira da Foz
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