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Entrevista | Cherry fala do primeiro álbum «É um disco peculiar, quer a nível do conceito, quer da sonoridade»

Nascida em Lisboa e a viver em Londres, Ana Caldeira apresenta-se como Cherry.
O álbum “London Express” já se encontra à venda. 11 canções, 11 histórias sobre mulheres (reais e do nosso imaginário), contadas e cantadas numa pop melódica, composta de momentos alegres e melancólicos, abertos a interpretações.
Em entrevista a voz revelação falou-nos mais deste seu primeiro álbum. 

 

«integrei o Coro da Universidade Técnica de Lisboa, onde aprendi muito, e aí não tive dúvidas de que queria ser profissional da música»



Made in Portugal: Como chegaste ao mundo da música? Fala-nos um pouco do teu percurso.
Cherry: Quando era bem pequena, e é das primeiras memórias que tenho de mim, o meu irmão ouvia muita música em casa, de vários géneros, e cedo comecei a “cantarolar” as músicas, a tentar acompanhá-las, mais tarde até a fazer harmonias (hábito que permanece até hoje).
Pertenci durante 16 anos ao Agrupamento Escutista 760 Beato, que me estimulava bastante a representar, e a cantar em eucaristias e eventos, peças e acampamentos. Ao entrar na faculdade, integrei o Coro da Universidade Técnica de Lisboa, onde aprendi muito, e aí não tive dúvidas de que queria ser profissional da música. O meu amigo Miguel Sousa foi também meu cúmplice em muitos ensaios. Formei um dueto com Nuno Barreto, mais tarde outro com Ruben Portinha, que conheci na Rádio Zero, onde ambos éramos animadores.
Quis o destino que nos juntássemos num trio acústico – os Cherry Jam – e começámos a trabalhar em bares e Casinos. Paralelamente, integrei outros projectos, duetos e bandas. Até que um dia o Rui Ribeiro me encontrou a cantar no Casino do Estoril, neste caso com os Cherry Jam.

MIP: Curiosidade: porque o nome Cherry?
Cherry: Cherry vem, então, do trio. Cherry era a minha alcunha, por ser um fruto de Verão, muito solarengo, feminino, doce. Jam foi uma palavra que adicionámos em jeito de brincadeira (por significar “compota” em inglês, e também jam session, encontro em palco de músicos que, na maior parte das vezes, não se conhecem ou não trabalham juntos habitualmente). Eis a explicação para Cherry Jam. Quando surgiu o contracto com a Blim Records, não encontrámos nome melhor para me descrever, não surgiu necessidade de mudá-lo, efectivamente funcionava bem.

MIP:  O teu álbum de estreia chega a 13 de outubro. O que nos podes desvendar do disco?
Cherry: É um disco peculiar, quer a nível do conceito, quer da sonoridade. Gravado em Lisboa, entre viagens de, e para, Londres. “London Express”, o nome, é a minha contribuição ao nível do conceito – é a minha própria história, como mulher e como ser humano, no último ano e meio.

«O disco é feito de histórias vividas por mulheres»

MIP: Do que falam as canções que interpretas?
Cherry: O disco é feito de histórias vividas por mulheres, que à data as contaram ao Rui Ribeiro.

Este decidiu passar as ideias para poemas, e depois para músicas, compondo o álbum. Logo, este registo remete-nos para ambientes e estados de espírito diferentes – amor, desamor, desilusão, procura e identidade, refúgio, tentativa, saudade do passado, imaginação e sonhos de mulheres.

MIP: Alguma em particular que gostarias de destacar?
Cherry: Pessoalmente, não consigo evitar destacar a “Wizard Tricks”. Foi o último tema a ser gravado, já sob algum cansaço, e o típico exemplo do trabalho que pensamos não estar à altura de realizar, e que depois se torna na nossa maior bandeira. Porque afinal somos capazes.
O resultado saiu bem melhor do que estávamos à espera e agradou a todos. Depois, porque musicalmente me diz muito, encanta-me desde o primeiro minuto que a conheci, ainda antes de lhe dar voz.

MIP: A sonoridade é dentro da pop, ou também conta com outras influências?
Cherry: Conta com influências várias não assumidas, por serem involuntárias, da minha parte. A nível das minhas escolhas/soluções vocais, remetem-me sempre para o Jazz, a Soul, o Blues. Em termos de composição musical, e parece-me que o Rui o pode confirmar, não houve uma busca. Foi algo natural ao compositor, que é influenciado por estilos tão variados como a Música Clássica e o Jazz.

MIP: Quais as tuas referências musicais?
Cherry: As minhas referências musicais, que me inspiram, são tantas e tão abrangentes, que não posso nomear. Vão do rock ao RnB, do Fado ao Flamenco, do Metal ao Indie. Quanto ao trabalho que desenvolvo ao nível da voz, e sendo um instrumento tão orgânico e visceral, cada pessoa tem as suas limitações e características, pelo que sempre me identifiquei com o Gospel, a Soul, o Jazz.

MIP: A nível de concertos, novidades para breve?
Cherry: Esperamos que sim, a Blim Records e a Universal estão a trabalhar nesse sentido.

«levar a música mais além, e o nome de Portugal também»

MIP: O que ambicionas enquanto Cherry?
Cherry: Enquanto Cherry ambiciono muito o contacto com o público, muita troca de energias. Provocar emoções. Ser parte da banda sonora da vida de alguém. Viajar, levar a música mais além, e o nome de Portugal também. Contar histórias. Gostava de colaborar com músicos diferentes, e experimentar, incorporar, explorar, aos pouquinhos, outros géneros musicais.

MIP: Deixa uma mensagem / apelo a os nossos leitores para adquirirem o teu disco.
Cherry: O “London Express” vai tornar os vossos dias mais coloridos. As mulheres vão identificar-se, os homens vão sentir empatia. É música portuguesa, neste caso feita por músicos portugueses que confirmam o talento que existe no nosso país. Gostava que a minha voz vos fizesse companhia ao longo dos dias, e vos levasse a encontrarem-se comigo numa sala, arena, jardim, algures no mundo.

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