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Nathalie «O fado sempre me fez sentir mais próxima de Portugal»

Nathalie, fadista luso americana, iniciou a sua carreira aos 13 anos e é prova de que o Fado já era Património da Humanidade, muito antes de ser reconhecido e declarado pela UNESCO em novembro de 2011. Com um percurso internacional de prestígio que conta com mais de 300 atuações nos E.U.A., Canadá e Europa nos últimos anos, Nathalie tem levado o seu fado a palcos emblemáticos.

“Fado Além”, o seu mais recente disco, é um trabalho musical que engloba temas originais escritos exclusivamente para a fadista, por escritores e compositores consagrados como Amélia Muge, Vitorino, Mário Cláudio, João Paulo Esteves da Silva, Pedro Moreira e Ricardo J. Dias, combinados com fados tradicionais e outros gloriosos temas da canção nacional.

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Nathalie

Nathalie: “O fado sempre me fez sentir mais próxima de Portugal”

Fale-nos um pouco do seu percurso musical. Como ingressou no fado?
Canto desde menina. O meu Pai é músico e ainda bebé, enquanto ele cantava no palco eu dormia por trás das colunas por cima das caixas do teclado. Só mais tarde com 13 anos é que tive um convite para cantar numa noite de fados num clube Português no estado de New Jersey. Foi ai que descobri o poder que o Fado tem sobre o público e nunca mais parei.

Vive nos EUA, o facto de cantar o Fado ajudou-a a sentir-se mais próxima de Portugal?
Nasci e sempre vivi nos EUA. O fado sempre me fez sentir mais próxima de Portugal e matar as saudades que sentia ao estar tão longe.

Editou o seu segundo álbum “Fado Além”. Como define este seu novo trabalho?
“Fado Além” é um álbum com diversos autores como Amélia Muge, Vitorino, João Paulo Esteves da Silva, Mário Cláudio e muitos outros mas também com fados tradicionais com “Fado Esmeraldina”, “Mayer” e “Súplica”, mas com um som além do fado tradicional. Neste disco tive a oportunidade de criar temas novos o que foi um grande desafio para mim porque sempre cantei fados tradicionais. Este disco também me deu a oportunidade de gravar com músicos Portugueses pela primeira vez, o que me inspirou muito. Ricardo Dias, no piano e produtor musical, Bernardo Moreira no contrabaixo, Bernardo Couto na Guitarra Portuguesa e Carlos Manuel Proença na viola do Fado.

O disco tem vários compositores, como Amélia Muge, Vitorino, entre outros. É um privilégio cantar temas destes autores portugueses?
Claro que sim. E em cada tema tentei incluir expressões ligados ao estilo musical do compositor. Por exemplo, João Paulo Esteves da Silva é do Jazz e no seu tema “Lisboa”, cantei algumas linhas com influências de Jazz como uma pequena homenagem. Foi divertido e uma grande honra.

Apresentou o novo disco no Teatro Tivoli. O que sentiu ao cantar para o público português, em Portugal?
O concerto no teatro Tivoli foi uma noite de muitas emoções. Foi uma celebração para eu poder apresentar a minha música ao público Português e também aos autores que também estavam presentes.

Nesse concerto teve como convidado especial Camané. Como foi cantar ao lado de um dos fadistas mais carismáticas?
Foi tão bom. Cantámos “Sei de um Rio” e parecia que o tempo parou. Ele é muito simpático e humilde o que me fez sentir à vontade e desfrutar do momento. Sinto-me muito sortuda.

Nathalie: “Com este trabalho sinto que estou pela primeira vez a cantar temas que são mesmo meus”

Sendo que nos EUA já deu centenas de concertos e já recebeu vários distinções, pergunto se um dos seus objetivos com este seu novo trabalho é dar a conhecer a fadista Nathalie a Portugal?
Já canto há muito tempo mas com este trabalho sinto que estou pela primeira vez a cantar temas que são mesmo meus. Por isso sinto que me estou a dar a conhecer ao mundo inteiro, até ao publico que já me acompanha desde que comecei a cantar. É sem dúvida uma etapa nova para mim no meu percurso musical.

Já atuou em salas míticas como Carnegie Hall, Kennedy Center, entre outras. Que sala ambiciona atuar?
É uma grande honra poder cantar nessas salas emblemáticas mas para mim o mais importante é o público. Agora que cantei o meu “Fado Além” ao público de Lisboa, Coimbra e Oliveira do Bairro, quero cada vez mais e gostava de poder mostrar ao resto de Portugal. Eu quero é continuar a cantar.

E agora, vai regressar aos EUA? Por onde andará a fadista Nathalie?
Vou continuar a apresentar o meu novo álbum nos EUA em teatros e festivais de verão e volto para Portugal em junho. Mal posso esperar!

Acompanhe Nathalie em: www.nathaliepires.com

 

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