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[Reportagem The Black Mamba] A Cobra solta veneno no Coliseu de Lisboa
Foi numa noite de chuva e frio que o Coliseu de Lisboa aqueceu perante a presença dos The Black Mamba, banda já fortemente reconhecida pela onda de blues, soul e funk que trouxe ao panorama musical português.
The Black Mamba - Coliseu dos Recreios - foto anabela santos - madeinportugal - mip - reportagem

The Black Mamba – Coliseu dos Recreios

 

Com uma tela ainda sob os elementos em palco, estes ficam quase a descoberto iniciando o que viria a ser uma atuação memorável. Temas como “Mamba King”, “Ride the sun”, “Slow it down”, “Give it up” e o aclamado “It ain’t you”, 1.º single do 1.º álbum da banda, datado de Maio de 2012, só revelam o começo do que está para vir.

Nos primeiros agradecimentos, Tatanka realça o prazer de estar na mediática sala do Coliseu de Lisboa e o quanto isso representa para a banda, que inicia a sua história em 2010 onde o seu veneno se revela letal. “Grey eyes” e “Don’t fuck around” antecipam a balada “Red dress”, tema do 2.º álbum dos The Black Mamba de 2014, “Dirty Little Brother”. Tatanka senta-se em palco junto ao público, fazendo-se acompanhar só de piano e background vocals num momento que nos transporta lentamente para uma atmosfera apaixonante de blues, destacando-se a voz do vocalista, criando vontade de embarcarmos na melodia.

Chega-nos “Stronger”, 1.º single do 3.º álbum com previsão de lançamento para o próximo mês de Abril. “Stronger” escrito para a esposa de Tatanka, brinda-nos com um ritmo festivo que invade a multidão inteira, de pé a dançar ao som de um tema que demonstra uma melodia diferente do que os The Black Mamba nos habituaram. Transmitem a vontade de inovar e arriscar em novas sonoridades, mas mantendo a identidade e energia de que a banda já nos habituou.

Embarcamos agora num quente medley de soul passando por temas como “Al Green” , “Grapevine” logo reconhecido pelo público, “Sexual healing” com Tó Cruz em destaque, seguido do ritmo sexy de “Ain’t that a bitch”.

Tatanka volta a puxar pelo público, procurando saber se a onda soul e de sensualidade está a chegar a cada um dos presentes nesta noite.
Chega o momento de receber o primeiro dos convidados com que os The Black Mamba nos presentearam esta noite, a soul classic, Mr. Skyler Jett. Com um percurso invejável, este cantor, compositor e produtor norte-americano conta com nomes como Whitney Houston e Celine Dion no seu currículo participando no galardoado “My heart will go on” (Titanic) mas também nos arranjos dos background vocals de “I’m every woman” (The Bodyguard).
É com um ritmado e poderoso “Silent thunder” que se apresenta, sendo facilmente percetível o porquê do brilhante percurso deste mestre do soul.

É tempo de agradecer a todos os que contribuiram para a divulgação e sucesso, não só do novo tema “Stronger” mas do ainda curto mas incrível percurso dos The Black Mamba.

É com mais um puxar pelo público, ouvindo-se “some f*****g noise”, palavras de Tatanka, que recebemos o segundo convidado da noite, Miguel Araújo. Referido com um amigo incansável e um dos maiores compositores do nosso tempo, junta-se à banda para um autêntico “fadinho das Arábias”, “Darkest hour”, entrelaçando o fado português com sotaque do norte com o toque único dos The Black Mamba, sendo que a versão original conta com a participação de António Zambujo.
Segue-se “Yester Lovers”, ainda com Miguel Araújo, tema do album “Dirty Little Brother”, trazendo de volta as guitarras dos anos 60, com uma audiência em perfeita comunhão.

Chega a altura da revelação do tema que tem tudo para se tornar no 2.º single do tão esperado 3.º álbum de originais. De seu nome “She”, percebe-se rapidamente o porquê dessa escolha. Mais uma vez com ritmos novos que demonstram a vontade dos The Black Mamba de ir mais além, deixado o público em extâse.

“Sweet lies” e “Soul people” leva mais uma vez a banda a vibrar em palco.

É com o refrão de “Canção de mim mesmo” que se inicia mais um grande momento da noite com Marisa Liz e Tiago Pais Dias dos Amor Electro. A sintonia das vozes de Tatanka e Marisa é evidente.

Segue-se o incontornável “I’ll meet you there” com um público completamente deliciado com a energia vinda do palco. Foi o 3.º single do 1.º álbum da banda que continua ser um êxito após o seu lançamento, tendo um dos maiores air plays nas rádios.

O tão esperado “Wonder why”, com participação da extraordinária Áurea, surge com a entrada da artista em palco, numa atuação arrepiante.

A banda retira-se mas rapidamente regressa ao palco para o encore terminando a noite com o ritmo cool de “Put your love” e “Still I am alive”.

Uma noite de celebração foi o que se sentiu no passado Sábado no Coliseu de Lisboa. 2018 começa em grande para os The Black Mamba. É inevitável destacar o talento e a vibe incrível que invade quem se deixa levar por cada acorde. A estreia desta banda única no nosso Coliseu de Lisboa foi um momento marcante não só para os músicos em palco mas para cada uma das pessoas que preferiu esquecer o frio que se sentia lá fora e deixar-se levar pelo ambiente cool que se fez sentir nesta sala.
Tatanka, um entertainer nato, que juntamente com os restantes elementos deste singular projeto fazem-nos querer continuar a seguir este já tão intenso trajeto percorrido e que promete continuar a dar cartas no panorama musical português.

Texto e fotos: Anabela Santos

The Black Mamba
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