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Entrevista | B Fachada


B Fachada é um cantautor e multi-instrumentista português. Em entrevista ao blog Made In Portugal o cantautor falou-nos sobre o seu percurso musical, o seu último álbum “Criôlo” e sobre o seu futuro.

Curiosidades:
» Um álbum: “Pega Monstro”
» Uma música: “Rio Largo de Profundis” – Zeca Afonso
» Um livro: “S. Banaboião Anacoreta e Mártir” – Aquilino Ribeiro
» Um filme: “Comédia de Deus” – João César Monteiro
» Uma mania: Sonhar com o Brasil
» Uma citação: “Neste país publicam-se mais de mil merdas por dia” – Alberto Pimenta

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Made In Portugal: Comecemos por inverter papeis. Como ouvinte de música, o que diria do cantautor B Fachada?
B. Fachada: Diria: “Olha que perfeitinho! Tem graça.”

Made In Portugal: Nos seus trabalhos anteriores, já tinha explorado um pouco o lado musical da música africana. Mas este novo álbum, “Criôlo” tem de forma bem vincada o afro-pop. Como surgiu este novo álbum? Porque “Criôlo”?
B. F.: Queria problematizar a “acrioulação” como nós a estudámos e imaginar como seria a música (POPular) se nos tivéssemos concentrado no que trouxemos do (resto do) mundo, em vez deste esforço secular de sobrevalorizar o que lá deixámos…

Made In Portugal: A própria capa do álbum, também é interessante. Para além de cantautor também tem algum dedo seu, a parte visual do álbum?
B. F.: Costumo ser eu a fazer a composição gráfica das capas. Faço pesquisas de imagens até encontrar a capa certa; este disco não foi excepção: depois de encontrar o desenho técnico do bebé no útero, foi só escolher uma cor crioula e uma fonte bem fora-de-moda.

Made In Portugal: O seu último trabalho tem tido criticas muito positivas. Considera que foi até ao momento o seu melhor trabalho musical?
B. F.: Gosto sempre do último disco com mais força, mas com o tempo todos os albuns vão permanecendo em cantos especiais da minha memória: tenho uma relação com os discos que não é a de um ouvinte; posso ficar para sempre apaixonado por um disco simplesmente por ter recordações fortes das gravações ou da composição.

Made In Portugal: Apesar de dar concertos ao vivo, é o próprio a dizer que não gosta muito, sendo exigente com o público. Defina, aquele que seria o seu concerto perfeito.
B. F.: Um público mínimo preparado para a imperfeição máxima. E no fim um grande banquete impróprio para a saúde.

Made In Portugal: Recentemente, em entrevista à ‘Time Out’ revelou que se vai afastar da música durante um ano, referindo que gostaria de surgir com banda e outro nome; “uma cena unificadora, para passar em todas as rádios”. Pensa investir noutro registo musical?
B. F.: O meu trabalho até aqui tem sido muito programático. Queria trabalhar o suficiente durante estes primeiros anos para ter a certeza que desenvolvia a técnica sem me encher de vícios: variar bastante, aprender o trabalho no estúdio, descobrir a minha língua, etc. Agora que tenho todas essas ferramentas mais oleadas, seria um desperdício não tentar alcançar uma outra profundidade com elas; descansar um ano e depois atacar mesmo a sério.

Made In Portugal: Na sua opinião, o que considera, que faz falta à música em Portugal e/ou às rádios nacionais para passarem mais variedade de música?
B. F.: Faz falta diversidade. Fazem falta mais pronúncias bem cantadas, mais palavras, mais bandas (diferentes umas das outras!) e muito mais canções.

Made In Portugal: O que ambiciona no mundo da música?
B. F.: Apesar de ter, de certa maneira, ambicionado gerar este património que gravei nos últimos cinco anos, a música para mim não é bem uma ambição: é um ofício. Agora já não espero nada de especial, além de mãos e ouvidos saudáveis.

Pode escutar ainda na integra toda a discografia do cantautor aqui: http://bfachada.bandcamp.com/
E ainda acompanhar o mesmo através do seu facebook oficial: http://www.facebook.com/pages/B-Fachada/168259403536
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Em forma de despedida B Fachada irá dar dois concertos. A 21 de Setembro às 23h na Lux, em Lisboa e a 28 de Setembro, às 22h no Passos Manuel, no Porto. Os bilhetes tem um preço único de 10€.

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