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Entrevista | FF fala do projeto SaFFra «é a fusão de vários universos musicais típicos portugueses»

Longe dos tempos em que se estreou na série “Morangos Com Açucar”, Fernando Fernandes, FF, é a voz das canções de SaFFra, revelando, pela primeira vez, a sua essência enquanto cantor e compositor naquele, que considera ser o seu primeiro disco a solo.

 

Apresenta um álbum num estilo musical bastante característico, que tem na sua génese a música popular portuguesa, mas que funde uma série de outras influências sonoras.

Made in Portugal: Volvidos quatro anos estás de volta aos discos. Regressas com um estilo musical completamente diferente dos trabalhos anteriores. O que podemos encontrar neste teu “SaFFra”?
Fernando Fernandes: Saffra representa a minha primeira ‘estação de colheita’. Um projecto criado de raiz mas que, na realidade, conta com uma bagagem emocional e passado enormes. É o regresso à minha casa musical, ao Alentejo, à minha infância. Daí a fusão do fado com a música popular / tradicional portuguesa com a modernidade dos primorosos arranjos musicais de Tiago Machado, produtor deste trabalho.

«não faria sentido fazer outro trabalho senão este que mostra o que sou»

MIP: O que te levou a mudar para uma sonoridade mais tradicional?
FF: Sinto que  ao longo destes 10 anos de estrada em concertos aprendi imensa coisa mas estava a preparar-me para falar, cantar a minha linguagem musical. Aos 27 anos, não faria sentido fazer outro trabalho senão este que mostra o que sou. O encontro com uma sonoridade mais tradicional está obviamente relacionado com aquilo que ouvia em miúdo e que impulsionou a minha paixão pelo canto, pela música.

«Saffra é a fusão de vários universos musicais típicos portugueses»

MIP: Explica-nos o que é o projeto SaFFra e o que tem de diferente e original de outros projetos?
FF: Saffra é a fusão de vários universos musicais típicos portugueses, como o Fado, a Marcha Popular, as Modinhas juntamente com a modernidade do Jazz e de arranjos clássicos inspirados nos anos de ouro da nossa música. É de certa forma um revivalismo dos tempos em que grandes poemas eram acompanhados por grandes melodias, elevando a portugalidade.

MIP: Porque o nome SaFFra?
FF: Safra, do árabe, safaria, significa estação de colheita. Durante os 2 anos de produção deste trabalho, desde o seu início até à conclusão, todos os nomes que surgiam para este projecto não me enchiam as medidas. Até que a palavras Safra surge e aí deu-se o click. Palavra portuguesa, forte e que carrega no seu significado todo este processo de criação que a música também exige até estar pronta para ‘colher’. A escolha dos 2 F’s é obviamente propositada por causa do meu nome artístico.

MIP: Os 11 temas que integram o disco são da tua autoria?
FF: Tenho 2 temas inteiramente meus e uma letra num original de Tiago Machado, “Viagem de Mim”. Neste disco podemos encontrar também temas originais de Diogo Clemente, Manuel Paulo, Jorge Fernando, Dulce Pontes, Tiago Machado e letras de Tiago Torres da Silva e Flávio Gil.

«o ‘Fado da Sina’, que a minha avó cantava e com o qual a decidi homenagear neste trabalho»

MIP: São temas que estavam guardados na gaveta ou foram compostos exclusivamente para este disco?
FF: Um dos meus temas, ‘Novela de Amor’, estava literalmente na gaveta. Sentia que a editá-lo, teria de ser num projecto, independentemente de ser meu ou não, que lhe fizesse justiça. Foi este o caso. Existem também 2 temas que decidimos trazer para este universo Saffra, ‘Dança da Solidão’ e ‘Fado da Sina’ que estavam na gaveta mas esta emocional. ‘Dança da Solidão’, um samba de Paulinho da Viola que sempre achei ter uma letra digna de um Fado e o ‘Fado da Sina’, que a minha avó cantava e com o qual a decidi homenagear neste trabalho.

MIP: “Safra deste ano” é o single de apresentação. 
FF: A música mais feliz e simples na sua estrutura musical do álbum, daí a escolha para revelar o princípio de um projecto que, depois de se fazer a escuta, percebe-se que vai mais além.

MIP: O videoclip do tema está entre os dez vídeos mais vistos no youtube, o que significa uma grande curiosidade por parte das pessoas. Estás ansioso pelo lançamento do disco?
FF: Não trouxe expectativas ‘comerciais’ para este trabalho. Adorava que chegasse ao maior número possível de pessoas e que ao chegar a elas, as transportasse como me transporta. Ser um sucesso? Adorava mas, mais do que isso, espero que quem for ao seu encontro o compreenda e goste muito.

«O primeiro grande concerto deste novo trabalho será no dia 16 de Janeiro no Olga de Cadaval»

MIP: No que se refere a concertos, haverá novidades para breve?
FF: Estamos diariamente a trabalhar na promoção deste disco para que 2015 seja um ano repleto de ‘Saffras’. O primeiro grande concerto deste novo trabalho será no dia 16 de Janeiro no Olga de Cadaval e o arranque oficial da Tour SAFFRA.

MIP: De um modo geral como avalias atualmente a música portuguesa?
FF: Vejo com muito optimismo a elevação de jovens vozes a cantar projectos com qualidade e sonoridades que, mais do que serem portugueses, pertencem ao mundo. Acho também que o público em geral está cada vez mais exigente e receptivo a diferentes estilos musicais. Estamos mais ecléticos e isso é muito bom.

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