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Reportagem | Festival Caixa Ribeira – 2.º dia
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Festival Caixa Ribeira | Ana Sofia Varela

Depois da primeira noite da 2ª edição do Festival Caixa Ribeira, seguiu-se o segundo e último dia, marcado por surpresas e muitas emoções.

Tal como no dia anterior os guitarristas Jorge Silva, Miguel Monteiro e José Manuel Rodrigues saudavam os visitantes do festival com o som das suas guitarras, em Fado à Janela.

A antiga Junta de Freguesia de S. Nicolau voltou a ser um dos palcos a visitar, onde atuaram Liliana Luz e Nelson Duarte. Em Fado na Cave, na cave no Cais da Estiva atuaram Sandra Loureiro, Anita Faria e Eduardo Pinto.

Na Casa do Infante ouviram-se clássicos do Fado, pelas vozes de António Cerqueira, Maria da Luz, Manuel Barbosa e Rosita. A escadaria da igreja de São Francisco voltou a estar repleta, desta vez, para ouvir Ana Sofia Varela e José Manuel Barreto. No interior da igreja de São Francisco os fados que se ouviram foram dedicados a Nossa Senhora, pelas vozes dos jovens Miguel Xavier, Ana Pinhal, Patrícia Costa e Sérgio Martins.

Já nas salas do Hard Club atuaram Sandra Correia e Teresa Tapadas, na sala 2 e na sala 1 atuou Paulo Ribeiro e também Simone de Oliveira, num concerto em que a cantora se emocionou várias vezes.

Gisela João

Gisela João

De passagem pelo Salão Árabe, Hélder Moutinho apresentou temas do seu novo álbum “O Manual do Coração”, lançado no passado mês de maio. Já Aldina Duarte levou ao salão do Palácio da Bolsa os seus “Romances”, disco duplo editado no ano passado. Também no Palácio da Bolsa, mais precisamente no Pátio das Nações a jovem fadista Sara Correia mostrou o porquê dos vários elogios que tem recebido. Um talento no fado, em ascensão. Seguiu-se o concerto da conceituada fadista Maria Armanda. Um concerto onde a fadista cantou alguns temas do novo álbum que irá lançar ainda este mês e onde não faltou o mítico tema “Canoas do Tejo”.

Pelas 23h teve início o concerto surpresa da noite. Gisela João era uma das fadistas anunciadas para o festival, mas sem local e hora definido. Durante a tarde foi revelado que a fadista do Porto iria atuar no cubo na Praça da Ribeira, e assim aconteceu perante uma grande plateia, com um palco decorado pela própria fadista.

Já no palco principal Rodrigo e Florência juntaram-se para juntos desfilarem temas do reportório de ambos, com décadas de história. Para a história fica também este concerto especial.

Seguiu-se a atuação do músico, compositor e fadista Jorge Fernando que cantou temas de grande sucesso do fado, da sua autoria, como “Chuva”. “Pode ser Saudade” foi uma das vários canções de cerca de uma hora de espetáculo, que o público entoou de viva voz. “Umbadá”, tema com que participou no Festival da Canção em 1985, não faltou no reportório, tendo sido inclusive a canção com que encerrou o concerto, onde foi acompanhado por António Barbosa no violino; José Manuel David na flauta; Filipe Lança no baixo; Guilherme Banza na guitarra portuguesa; André Sousa Machado na bateria. Também contou com o convidado Miguel Ramos, que Jorge Fernando fez questão de chamar ao palco para cantar sozinho um tema.

E para terminar a noite e encerrar a 2.ª edição do Caixa Ribeira, Raquel Tavares subiu ao palco Caixa para brindar todos os presentes com algumas das canções que fazem parte do seu novo álbum, editado há umas semanas. “Raquel” é o nome do terceiro disco da fadista, que voltou às edições discográficas oito anos depois, com um disco surpreende. Uma sonoridade diferente e recheado de talento, o seu talento e o de todos aqueles que compuseram as novas canções.

Raquel Tavares

Raquel Tavares

Iniciou o concerto “Fado das Horas” e a tocar guitarra portuguesa. Ouviram-se novos temas como “Tradição”, “Gostar de Quem Gosta de Nós”, “Não Me Esperes de Volta”, “Meu Amor de Longe”, entre outros tão bem conhecidos do público como “Limão ó Verde Limão”, tema celebrizado por Celeste Rodrigues ou “As Regras da Sensatez” tema de Rui Veloso, que a fadista regravou no novo álbum.

Mas um dos momentos altos do concerto foi quando Raquel Tavares homenageou Beatriz da Conceição, que faleceu em novembro do ano passado com 76 anos de idade.
A fadista referiu: «são vários os motivos que me fazem estar hoje muito feliz e emocionada na cidade do Porto. O que vou fazer agora não é diferente do que tenho feito nos últimos anos, falar da minha maior referência do fado. Tive o prazer de privar com ela… Eu não tinha vindo ao Porto desde que ela decidiu partir… Gravei um fado dela neste disco com a autorização dela, infelizmente já não o teve oportunidade de o ouvir. Tenho um xaile dela, estou na cidade dela e vou homenageá-la», disse, bastante emocionada, tendo de seguida cantado, com a voz um pouco embargada “O Meu Corpo”.

A fadista fez-se acompanhar em palco por André Dias na guitarra portuguesa; Bernardo Viana no viola; Daniel Pinto no baixo; Fred Ferreira na percussão.

E assim terminou mais uma edição do Festival Caixa Ribeira. Foram mais de 40 vozes que passaram pelos 10 palcos desta edição do Festival que é já um marco para a região do norte. Primeiro estranha-se, depois entranha-se – assim o ditado se aplica, pois face à adesão e ao sucesso desta edição, este é já um festival que não pode faltar nas ruas do Porto.

Segue-se agora o Caixa Alfama, em Lisboa, a 23 e 24 de setembro e fora de Portugal haverá ainda a segunda edição do Caixa Luanda a 26 e 27 de outubro.

Reportagem: Joana Constante

Texto e fotos do 1.º dia do Festival Caixa Ribeira aqui. 

[Mais fotos em breve]

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